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Senado reconhece a Romaria do Divino Pai Eterno como manifestação da cultura nacional

Projeto é do senador Vanderlan Cardoso

Da redação
Goiânia | 04/11/2026

Decisão foi terminativa e o texto segue agora para a Câmara | Foto: Reprodução

A Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado aprovou nesta terça-feira (3) o Projeto de Lei 2.423/2026, do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), que reconhece a Romaria do Divino Pai Eterno, realizada em Trindade (GO), como manifestação da cultura nacional. A decisão foi terminativa, ou seja, dispensa votação no Plenário, e o texto segue agora para a Câmara dos Deputados, salvo se houver recurso. O relator foi o senador Flávio Arns (PSB-PR), com parecer favorável.

Autor da proposta, Vanderlan defendeu o projeto, lembrando a origem da devoção, em 1840, na antiga região do Barro Preto, hoje Trindade, quando o casal de agricultores Constantino Xavier e Ana Rosa encontrou na terra um medalhão de barro com a imagem da Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora. "Dali nasceram as primeiras orações em família. Depois nasceu uma cidade. E junto a isso nasceu uma devoção que atravessou cinco gerações e chegou até nós", afirmou o senador. "São mais de 180 anos de fé ininterrupta."

O goiano disse que acompanha as festividades de perto e destacou a organização do evento, que em 2025 recebeu mais de 4,3 milhões de peregrinos em dez dias. "É preciso ver de perto para entender a dimensão do que se faz ali. Mais de quatro milhões de pessoas visitando a cidade em dez dias, com acolhida, com segurança, com respeito, com ordem. Isso não acontece por acaso", declarou. Vanderlan fez registro de reconhecimento ao reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, padre Marco Aurélio Martins da Silva, à equipe de missionários redentoristas, aos voluntários, à Prefeitura de Trindade e ao Governo de Goiás: "O que eles constroem a cada ano é uma obra de fé e de competência."

Segundo o senador, a ideia do projeto surgiu em conversa com o padre Marco Aurélio, em 11 de maio, durante visita a Trindade para a entrega de recursos à saúde e à assistência social do município. Ao justificar o alcance nacional da proposta, Vanderlan argumentou que Goiás já reconheceu o Grande Sino Vox Patris, o Santuário Basílica e a própria Romaria como patrimônio estadual, e que a Romaria dos Carros de Boi é Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan desde 2016. "Agora é a hora de o Congresso Nacional dizer ao Brasil o que Goiás já sabe: a Romaria do Divino Pai Eterno não é uma festa regional. É patrimônio do povo brasileiro", disse.

Em seu relatório, Flávio Arns observou que a romaria completou 186 anos em 2026 e é a maior peregrinação do Centro-Oeste e a segunda maior do país, movimentando hotelaria, gastronomia, logística e comércio. O projeto não cria despesa nem obrigação administrativa. "Ele faz algo diferente e necessário: registra na lei brasileira o respeito a uma tradição centenária, preservada não por decreto, mas pela fé do romeiro e pela constância do povo", afirmou Vanderlan. "Porque uma nação que não reconhece a fé e a cultura do seu povo não conhece a si própria."



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