ARTIGO
Privatização não é solução: Goiás não pode repetir o erro da Celg
Defender a Saneago pública não é ideologia: é compromisso com saúde, desenvolvimento e justiça social
Hoje, a privatização avança de forma silenciosa | Foto: Governo de Goiás
O debate sobre a possível privatização da Saneago não começa do zero. Goiás já viveu a experiência da venda da Celg, em 2016, cercada de promessas de eficiência, modernização e redução tarifária. O resultado, porém, foi aumento nas contas, perda de controle público sobre um setor estratégico e insatisfação recorrente com o serviço. Ignorar essa memória recente é fechar os olhos para lições importantes.
Hoje, a privatização avança de forma silenciosa: PPPs, terceirizações e concessões que transferem partes lucrativas do saneamento para a iniciativa privada, frequentemente após investimentos públicos. Socializa-se o custo, privatiza-se o lucro. Trata-se de um setor essencial, diretamente ligado à saúde pública, ao meio ambiente e à dignidade humana — não apenas um nicho de mercado.
Chama atenção a incoerência política. O atual governador, que já criticou a venda da Celg, hoje conduz políticas que podem resultar na privatização da água. Já o ex-governador responsável pela venda da energia reaparece criticando o saneamento. Não é divergência de projeto, mas oportunismo eleitoral que mantém a mesma lógica de mercantilização dos serviços públicos.
Defender a Saneago pública não é ideologia: é compromisso com saúde, desenvolvimento e justiça social. Água não é mercadoria. Goiás precisa debater o futuro do saneamento com transparência, participação social e responsabilidade, para não repetir erros que a população ainda paga caro para sustentar a “ganancia dos amigos dos reis”.