ACIDENTE EM GOIÂNIA
Goiás cria data em homenagem às vítimas do césio-137, maior acidente radiológico do mundo
Data busca consolidar memória das vítimas, principalmente para que sejam conhecidas pelas novas gerações
| Foto: Alego
O Estado de Goiás criou, por meio da Lei nº 24.366, o Dia Estadual em Homenagem às Vítimas do Acidente Radiológico com Césio-137. A iniciativa designa o dia 13 de setembro como data anual em homenagem às vítimas e envolvidos no episódio.
O maior acidente radiológico do mundo teve início quando catadores de material reciclável coletaram, em 13 de setembro de 1987, uma cápsula de máquina radioterapêutica abandonada pelo Instituto Goiano de Radioterapia no Centro de Goiânia.
A peça foi vendida a um ferro-velho, que a desmanchou. Ela possuía núcleo de césio-137, substância química que emite radiação altamente prejudicial tanto à saúde quanto ao meio ambiente.
Assim, o césio-137 começou a se espalhar pela capital goiana e contaminou, segundo estimativas da Associação das Vítimas com Césio-137, mais de 6 mil pessoas. O autor do projeto que resultou na criação da lei foi o deputado Karlos Cabral (PSB).
“O trágico episódio trouxe a Goiás prejuízos de vidas, sociais e econômicos. Toneladas de lixo radiativo foram depositadas em Abadia de Goiás. Casas foram demolidas, lotes aterrados com concreto, inclusive algumas das vítimas, que foram enterradas em caixões de chumbo, embaixo de toneladas de concreto. Tudo para evitar a dispersão radiativa, que vai durar entre 300 a 600 anos”, destacou Cabral na justificativa do projeto aprovado pelo Parlamento goiano.
Segundo ele, o episódio caiu no esquecimento coletivo, já que não há monumentos ou datas oficiais diretamente relacionados e “pouco foi feito em relação aos estudos para diagnosticar e tratar os efeitos da radiação no ser humano”.
Nesse sentido, o Dia Estadual em Homenagem às Vítimas do Acidente Radiológico com Césio-137 busca consolidar a memória das vítimas, principalmente para que sejam conhecidas pelas novas gerações. Além disso, estimula a avaliação periódica dos afetados sobreviventes, bem como a instituição de políticas públicas para atendê-los. Por fim, incentiva a realização de pesquisas e estudos sobre o acontecimento e as suas consequências. (Com informações da Agência Assembleia de Notícias)