CONTAGEM REGRESSIVA
Estimativas do PT goiano esbarram em dificuldade histórica e ausência de nomes para 2026
Sigla quer candidato que alcance ao menos 20% dos votos e garanta palanque para Lula, mas histórico eleitoral e indefinição interna ampliam desafios
| Foto: Divulgação/Partido dos Trabalhadores
O diretório do PT em Goiás tem em mente um objetivo ambicioso para as eleições de 2026: lançar um nome capaz de alcançar pelo menos 20% dos votos ao governo estadual e assegurar um palanque consistente para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado. A meta, no entanto, esbarra em obstáculos históricos e na falta de definição interna a poucos meses da corrida eleitoral de 2026.
O mesmo eleitor, que já observa as movimentações e ideias dos pré-candidatos que estarão na disputa a partir do dia 16 de agosto, percebe, também, que o PT ainda derrapa na arrancada.
Em entrevista ao jornal O Popular, a deputada federal e presidente do partido em Goiás, Adriana Accorsi, afirmou que permanecerá na chapa de candidata à reeleição para a Câmara dos Deputados. Segundo ela, a legenda ainda trabalha para encontrar um nome competitivo, que reúna ao menos 20% do eleitorado goiano e fortaleça a presença de Lula no estado durante o pleito.
Apesar do discurso de articulação, o partido ainda não apresentou um pré-candidato ao governo. Enquanto isso, possíveis adversários como Daniel Vilela, Wilder Morais e Marconi Perillo já se movimentam nos bastidores, ampliando agendas, consolidando alianças e se colocando como alternativas ao eleitorado.
Nos bastidores, há quem avalie que o PT pode optar por não lançar candidatura própria, buscando compor uma frente de esquerda apenas para garantir representação política ao presidente no estado, mesmo sem expectativa concreta de vitória.
O desafio é reforçado pelo retrospecto eleitoral da sigla em Goiás. Desde os anos 2000, o partido não apenas deixou de atingir a marca de 20% dos votos, como também registrou queda gradual em seu desempenho. O melhor resultado ocorreu em 2002, quando Marina Sant’Anna obteve 15,17% dos votos, em um momento de forte capital político do partido no cenário nacional.
Em 2006 e 2010, o PT não lançou candidato ao governo estadual. Em 2006, a chamada Frente da Esquerda foi representada por Elias Vaz, então pelo PSOL, que terminou a disputa com menos de 1% dos votos. Já em 2014, o partido voltou a apresentar candidatura própria com Antônio Gomide, que alcançou 10,09%.
Na sequência, Kátia Maria ficou abaixo dos 10% em 2018, com 9,16%. Em 2022, Wolmir Amado repetiu a tendência de retração e encerrou a disputa com 6,98%.
Entre os quadros do partido, o nome que aparece com maior potencial competitivo é o de Adriana Accorsi. Ainda assim, a própria deputada já descartou disputar o governo estadual em 2026, o que amplia a indefinição interna.